Dante’s Purgatorio foi planejado como a grande evolução de Dante’s Inferno, mirando o mesmo salto de qualidade que Assassin’s Creed II representou para sua franquia. O projeto avançou o suficiente para acumular cerca de 240 páginas de documentação antes de ser engavetado pela Electronic Arts.
A sequência colocaria Dante em plena ascensão do Purgatório, preso em uma guerra entre anjos e criaturas infernais. A proposta incluía uma ampliação ambiciosa das mecânicas originais, com foco em escalada, exploração e confrontos ainda mais épicos do que os vistos no primeiro jogo.
A proposta ambiciosa da sequência
A intenção da Visceral Games era elevar Dante’s Purgatorio ao patamar das maiores franquias de ação da época. O roteiro foi coescrito por Joshua Rubin, que também trabalhou em Assassin’s Creed II, reforçando o objetivo de transformar a sequência em um salto narrativo e mecânico. A escalada teria papel central, deixando de ser automatizada para se tornar um desafio estratégico em cada percurso.
Os desenvolvedores também queriam abandonar o padrão arena-túnel-arena do jogo original, substituindo-o por fases com design mais variado. Cada segmento da montanha do Purgatório seria moldado como um quebra-cabeça vertical, com trechos estreitos, pedras instáveis e caminhos alternativos. Para Jonathan Knight, diretor criativo, a meta era clara: “Quero que este seja o melhor jogo de escalada já feito, melhor que Uncharted ou Tomb Raider”.
Além disso, os combates se tornariam ainda mais violentos, colocando Dante contra demônios, anjos hostis e chefes colossais. Entre eles estariam Lilith, Gabriel, Uriel e até Beatrice como rainha do inferno. As habilidades espirituais adicionariam novas possibilidades, incluindo voo, dominação de inimigos e saltos de longa distância.
Uma visão épica cancelada antes de começar
Purgatory ganharia forma como uma grande montanha dividida em sete círculos, cada um com ambientes próprios, criaturas distintas e as Vision Caves, usadas para revisitar pecados do passado de Dante. A história colocaria o protagonista em conflito tanto com o céu quanto com o inferno, explorando ambiguidades morais inspiradas em obras como Paraíso Perdido, de John Milton. Gabriel começaria como inimigo, mas acabaria se aliando ao herói, enquanto Uriel revelaria ser um novo traidor celestial.
O plano narrativo previa uma trilogia completa: após Purgatorio, a saga terminaria em Dante’s Paradiso, ambientado em locais como a Florença medieval. A ideia era mostrar uma guerra celestial que atingiria a Terra e culminaria na reformulação total do pós-vida. Entretanto, nada disso chegou ao público. A Visceral foi redirecionada para Dead Space, depois Battlefield Hardline, e por fim encerrada após o cancelamento do projeto Ragtag.
O cancelamento de Dante’s Purgatorio encerrou a tentativa de transformar Dante’s Inferno em uma das grandes franquias da EA. O jogo permanece como um retrato de um momento ambicioso da Visceral Games, marcado por projetos ousados que nunca viram a luz do dia.
Fonte: Gamepressure